O curso de criptomoedas de 400€ do Windoh: as promessas, o hacker e a letra miúda que ninguém leu

Última actualização: 20 de Outubro de 2026

Dezasseis a vinte e duas pessoas. É esse o universo de “alunos” que pagaram até 400€ para se tornarem, nas palavras do próprio vendedor, “completos experts” em criptomoedas. Não é um erro de digitação. É o número real apurado pela TVI sobre o Curso de Criptoativos vendido pelo youtuber Windoh através da plataforma Blvck Network [1][11]. Este artigo não acusa ninguém de burla, isso é um crime que se prova em tribunal, não num blog. Mas vai desmontar, com fontes e datas, o mecanismo todo: o preço, a promessa, a letra miúda que tentava fechar a porta ao reembolso, e o regulador que veio dizer que aquela empresa não tinha autorização para fazer o que estava a fazer.

O curso de 400€ que ia criar “uns completos experts”

Em Março de 2021, a Blvck Network (blvcknetwork.com) vendia um “Curso de Criptoativos” a 400€, com comunidades de subscrição no Telegram, “BlvckCrypto Community” e “BlvckStocks Community”, a partir de 49,90€/mês até 499,90€/ano. O vídeo promocional, entretanto apagado mas transcrito pela TVI, prometia “um curso extremamente completo, feito por especialistas” e garantia, sem pestanejar, que dali “vão sair uns completos experts” [1][11].

O curso de 400€ que ia criar "uns completos experts"

A página de vendas arquivada no Wayback Machine (captura de 01/03/2021) [20] listava “Bitcoin e Altcoins”, “Análise Técnica e Estratégia”, “Gestão de Capital e Psicologia”, mais ou menos cinco horas de vídeo e “Partilha de Posições” nas comunidades pagas. A própria página incluía, porque a lei obriga, o aviso “77% das contas de investidores de retalho perdem dinheiro quando negoceiam CFDs”. Achas irónico vender confiança absoluta (“nenhumas dúvidas”) ao lado de um aviso legal que diz o oposto? Bem-vindo ao manual clássico de vender fumo: promete-se o céu, imprime-se o disclaimer em letra pequena e espera-se que ninguém leia os dois ao mesmo tempo.

Segundo a TVI, Windoh “encaixou 6.400 euros sem ter passado qualquer factura pelo serviço prestado” [1][11]. O aluno Ruben Campos, citado pelo Observador, resumiu a experiência: “Foram 400 euros de que me arrependo imenso”, um relato individual, não um veredicto judicial, mas que diz tudo sobre o que ficou depois da promessa de “especialistas”.

O hacker que abriu a caixa: “nem valia dez euros”

A 2 de Março de 2021, um hacker que se identificou como Redlive13 entrou na plataforma “como administrador” e expôs o conteúdo do curso e a base de dados com 22 clientes [2]. Este é o facto: houve acesso não autorizado e exposição de dados. O que vem a seguir é alegação de quem viu o material, não facto provado.

Silhueta de hacker perante ecrãs com dados de uma plataforma de curso expostos

Redlive13 alegou, citado pelo Observador: “Consegui perceber que o curso nem valia dez euros, qualquer miúdo do sexto ano consegue fazer aquilo. (…) Windoh fala de especialistas, mas no fim não existe nenhum” [2]. Os visados, segundo a TVI, foram mais longe e acusaram o youtuber de ter feito “um mero documento Word com plágio de informações da Wikipedia, com erros ortográficos e palavras em português do Brasil”, um detalhe caricato para um curso vendido a portugueses.

Windoh respondeu ao JN, a 15 de Março de 2021: “Não há nenhum especialista que tenha a totalidade do curso. O que saiu foi 50% do texto do curso. Faltam os vídeos. O curso tem 90 páginas e cinco horas de vídeo” [1]. É a negação dele, registada e citada, o equilíbrio que este artigo tem de manter: uma alegação de plágio contra uma negação directa, nenhuma das duas provada aqui.

Windoh apresentou queixa na PJ por acesso ilegítimo e difamação. A PJ fez busca à casa do hacker a 17 de Março de 2021, apreendeu quatro telemóveis, três monitores e um PC, e o visado foi constituído arguido [3][4][12]. A própria PJ disse à Lusa não ser claro se as apreensões se relacionavam com o caso Windoh ou com invasões anteriores a aulas virtuais, ou seja, nem isto está fechado.

A letra miúda que afastava os 14 dias de livre resolução

Este é o achado mais sólido de todo o caso, e é puramente documental: os Termos e Condições arquivados da Blvck Network tentavam excluir, por contrato, o direito de devolução de 14 dias que a lei portuguesa dá a qualquer consumidor em compras à distância.

Os T&C invocavam a alínea l) do n.º 1 do art. 17.º do Decreto-Lei 24/2014 para afastar o direito de livre resolução sobre “qualquer produto e/ou serviço comercializado” pelas entidades FUTURECORNUCOPIA, Lda e Yellow Arcade, Lda. Caracterizavam os cursos como “duas publicações literárias… sob a forma de ‘digital book'” e definiam renovação automática das subscrições, com oposição só possível por email e com cinco dias de antecedência.

Traduzindo o juridiquês: quem pagava 400€ ficava, pelo contrato, sem direito a pedir o dinheiro de volta. Só depois da exposição pública é que Windoh prometeu reembolsar os compradores. Ao Observador, a 12 de Março de 2021, confirmou o plano de reembolso [5]; ao JN perguntaram-lhe directamente “O reembolso já aconteceu?” e respondeu “Sim.” [1]. Repara na discrepância entre fontes, porque é reveladora da confusão do próprio caso: a TVI fala em 22 inscritos e 16 pagos [1], o JN em 16 vendas, o Observador em 17 compradores a reembolsar. Ninguém, nem sequer os próprios envolvidos, conseguiu fixar um número único.

O que importa é a diferença entre direito legal e escolha contratual. O art. 10.º do DL 24/2014 dá-te 14 dias para desistir sem explicações. A alínea l) do art. 17.º só pode afastar esse direito em casos muito específicos e mediante consentimento prévio e expresso, não basta escrever nos T&C “isto é um ebook” para fugir à lei do consumidor. É direito do consumo versus esperteza contratual, e sabes quem geralmente perde quando não lê a letra miúda antes de pagar.

“Não assines nada sem ler isto primeiro” devia estar tatuado na testa de quem compra qualquer curso de “liberdade financeira” vendido num Instagram Reel de 30 segundos.

Chegados aqui, já apanhaste o mecanismo inteiro. Falta provares que o sabias distinguir sozinho: seis frases reais deste caso, algumas saídas da boca do vendedor, outras do aviso legal que ninguém leu. Fumo ou aviso honesto?

🔍 Scanner de Promessas
Seis frases reais do caso Windoh. Fumo ou aviso honesto? Decide em cada uma.

A CMVM entra em cena: a empresa que não estava autorizada

A 12 de Março de 2021 a CMVM emitiu um alerta directo: a Blvck Network “não está autorizada nem registada junto da CMVM para o exercício de qualquer actividade de intermediação financeira em Portugal”, ao abrigo do art. 295.º do Código dos Valores Mobiliários, e “não se encontra legalmente habilitada para realizar publicidade ou prospecção de clientes” [6][7].

A CMVM entra em cena: a empresa que não estava autorizada

Repara bem no segundo ponto: mesmo que alguém defenda, como se vê em alguns comentários no Reddit, que “vender um curso não é intermediação financeira”, o próprio alerta da CMVM cobre também a publicidade e a prospecção de clientes, e isso é exactamente o que um curso com comunidades de “partilha de posições” e “análise diária” faz. O contra-argumento morre na primeira linha do comunicado.

Este caso não foi um acidente isolado. Segundo o balanço do JN de 6 de Maio de 2021, em menos de dois meses a CMVM recebeu 308 comunicações e mais de 90 denúncias contra seis influenciadores digitais portugueses: Blvck Network/Windoh, Wevesting/DavidGYT, Cláudio André, Trading Jar, Forex Gods e Bysignals [13]. A CMVM voltou a alertar sobre Cláudio André a 19 de Abril de 2021, dizendo que também não estava “autorizado nem registado” [8]. Windoh foi a ponta visível de uma vaga de “especialistas” a vender certezas sobre um mercado onde nem o Banco de Portugal garante segurança, o próprio BdP confirmou ao JN que “não existe qualquer protecção legal que garanta direitos de reembolso ao consumidor que utilize activos virtuais para fazer pagamentos” [1].

A petição, o Reddit e a caça que a comunidade movimentou

A pressão pública não veio de um regulador sonolento, veio primeiro de utilizadores anónimos e de uma petição. A 27 de Fevereiro de 2021, antes mesmo do hack, foi criada a petição pública PT106764, “Investigação dos esquemas aliciantes por parte de influenciadores digitais”, dirigida à PJ e ao STJ, visando nomeadamente “Windoh – Diogo Figueiras”, “DavidGYT – David Soares – wevesting” e “Numeiro – João Barbosa”. Cresceu de cerca de 9.500 assinaturas a 3 de Março até perto de 15.000 a meio de Março [16].

Smartphone sobre mesa de café com página de petição online e contador de assinaturas

No Reddit, a thread “Windoh e criptomoedas” chegou a somar centenas de pontos de visibilidade [9]. Um utilizador, joaommoreira, acusou: “O windoh pôs 5 segundos da gravação de um gajo que comprou a aula a dizer que valeu a pena. Quando no audio completo o gajo diz que para ele valeu a pena porque não sabia nada sobre o assunto… Rei da manipulação”, uma alegação, não um facto apurado judicialmente, mas que resume bem a sensação de feira de vaidades a vender confiança editada. Outro, pittagoras, relatou de forma indirecta: “vários amigos meus caíram nesses esquemas e alguns ainda lá estão.”

O detonador em vídeo veio do youtuber Hugo Medeiros, com o vídeo “BURLAS FOREX BITCOIN APOSTA DESPORTIVAS E ESQUEMAS PIRÂMIDE”, que empurrou o tema para os canais noticiosos tradicionais. A PJ, entretanto, confirmou que ia analisar as “dicas de criptomoedas” partilhadas por influenciadores portugueses [2], mais um indício de que o escrutínio não ficou pelas redes sociais.

Vale a pena notar o padrão repetido noutros casos: a DECO Proteste tem registada uma reclamação contra a Wevesting (de DavidGYT) de 6 de Março de 2021, onde o relator alega ter pago 249,50€ por um curso de 500€ que “teve de ser complementado por um canal do Youtube” e diz ter perdido 360€ em posições “copiadas por outros traders” [17], um relato individual citado, não um facto estabelecido, mas mais uma peça do mesmo puzzle de infoproduto circular: paga-se para aprender aquilo que, no fim, continua a depender do YouTube grátis do próprio vendedor.

O triângulo Windoh, Numeiro e DavidGYT

A petição pública não visava só Windoh, listava também “Numeiro – João Barbosa” e “DavidGYT – David Soares – wevesting (antes Global Youth Trading)”. Este não foi um caso isolado de um Zé-ninguém com Canva a vender banha da cobra: foi um padrão de vários influenciadores a usar a mesma receita, vídeos no YouTube, promessas de rentabilidade garantida, comunidades fechadas de “sinais” e preços altos sem reconhecimento oficial.

A CMVM confirmou esse padrão quando alertou, a 26 de Março de 2021, sobre as empresas ligadas a David GYT, Global Youth Trading, Wevesting e Juventude Global Lda, dizendo também não estarem autorizadas. Em Outubro de 2024, o Ministério Público formalizou uma acusação contra David Soares (DavidGYT) por burla qualificada de cerca de 4 milhões de euros, alegando que prometia “aos clientes que chegariam aos cinco milhões de euros de lucro em menos de seis anos, com um investimento de apenas 350 euros no mercado Forex” [14]. É importante separar isto com precisão: uma acusação é um acto processual, não uma condenação. O mérito da causa ainda tem de ser decidido em tribunal.

O que este triângulo mostra, com factos documentados e não com paranoia: o “curso de 400€” de Windoh não foi uma anomalia da internet portuguesa. Foi um sintoma de um esquema de pirâmide de ego disfarçado de educação financeira, replicado por vários influenciadores ao mesmo tempo, com a CMVM a emitir alerta atrás de alerta como quem tapa buracos num telhado que continua a chover.

O epílogo: ameaças, buscas da PJ e um Dubai dourado

Windoh alegou, numa publicação citada pelo Observador a 12 de Março de 2021, estar a receber ameaças de morte devido ao curso de criptomoedas [5]. É uma alegação dele, sem confirmação independente documentada nas fontes consultadas, regista-se com reserva, tal como se regista, com o mesmo cuidado, que foi o hacker (não o youtuber) quem teve a casa alvo de busca da PJ, com material informático apreendido [3][4]. A criminalização de quem denuncia é, só por si, um tema incómodo que o caso não resolveu.

O epílogo: ameaças, buscas da PJ e um Dubai dourado

Avança para 2024: Windoh é fotografado em Dubai, em jatos privados, num artigo intitulado “A vida de luxo do youtuber Windoh” (SÁBADO, 10/04/2024) [15]. O contraste entre 400€ cobrados a 16 ou 17 pessoas em 2021 e o estilo de vida ostentado três anos depois é o tipo de imagem que dispensa comentário, mas vamos comentar na mesma: o produto nunca foi o curso, foi ele próprio. Hoje, blvcknetwork.com morreu (a última captura no Wayback Machine é de 12/03/2021) e windoh.gg transformou-se numa comunidade de Counter-Strike 2. O curso não existe. A marca pivotou, como é hábito no manual do charlatão de serviço: quando o produto desmorona, muda-se de nicho e a internet esquece.

O que ficou por responder: inquérito não é acusação

A Procuradoria-Geral da República confirmou, a 4 de Março de 2021, a existência de um inquérito no DIAP de Lisboa, dizendo apenas que “uma participação relacionada… deu origem a um inquérito”, sem esclarecer se incidia sobre o hacker, sobre os youtubers, ou sobre ambos. Isto é facto: há inquérito aberto. Não é facto: que esse inquérito tenha produzido qualquer acusação formal contra Windoh até às fontes aqui citadas. A diferença é enorme e é precisamente a que separa a crítica séria do linchamento digital.

O especialista em Direito do Consumo Jorge Morais Carvalho, da NOVA School of Law, foi claro ao Observador: “Para existir burla tem de existir um engano astuciosamente provocado”; “só pelo preço não se poderá dizer que Windoh é um burlão”. Mas acrescentou a nuance que interessa: se o curso “não corresponder ao que foi anunciado (…) aí diria que há desconformidade entre o que é prometido e o que é oferecido” [10], incumprimento contratual, que pode implicar devolução, sem precisar de qualificação criminal. Lembrou ainda o art. 22.º do Código da Publicidade, que trata cursos “sem reconhecimento oficial”.

Quatro anos depois, o Gabinete Cibercrime da PGR voltou a alertar, a 25 de Março de 2025, que páginas que “prometem muito grande rentabilidade, sem qualquer risco financeiro associado” devem ser tratadas como fraudulentas [18]. O manual não mudou. Só o produto mudou, de criptomoedas em 2021 para “especialistas em IA” em 2026. Se já leste sobre as promessas vazias de ganhos com masterclasses de IA ou sobre o impacto da inteligência artificial no conteúdo online, vais reconhecer a mesma estrutura: vídeo emocional, preço alto, comunidade fechada, T&C que ninguém lê.

Checklist: como avaliar um curso de trading de um influencer antes de pagares

Antes de clicares em “comprar”, verifica isto, sem excepções:

  • ✅ Autorização da CMVM. Procura no site da CMVM se a entidade está autorizada a fazer intermediação financeira ou prospecção de clientes. Se não estiver, foge a sete pés.
  • ✅ Lista de entidades autorizadas do Banco de Portugal. [19] Consulta a lista oficial antes de confiares em qualquer “especialista em investimentos”.
  • ✅ Termos e condições completos, não um resumo em letra pequena. Procura cláusulas que excluam o direito de livre resolução de 14 dias, se existirem sem motivo legal claro, isso é um alerta vermelho.
  • ✅ Quem garante retorno garantido está a mentir. Nenhum curso legítimo promete lucro certo. Promessa de rentabilidade sem risco é, segundo o próprio alerta da PGR/Cibercrime de 2025, sinal de fraude.
  • ✅ Histórico de queixas. Verifica o Portal da Queixa, a DECO Proteste e o livro de reclamações electrónico antes de pagar.
  • ✅ Quem é o “especialista”? Se o curso promete “feito por especialistas” mas não identifica nenhum com nome, currículo e certificação, não tem ponta por onde se lhe pegue.

Se quiseres comparar com outros esquemas analisados neste blog, olha para as mentorias high ticket em Portugal ou para a praga dos gurus e mentores na internet: o padrão de ostentação-primeiro, entrega-depois repete-se como um disco riscado.

Perguntas frequentes

O curso de criptomoedas de Windoh ainda está disponível? Não. A plataforma Blvck Network morreu, a última captura no Wayback Machine é de 12 de Março de 2021, e windoh.gg é hoje uma comunidade de Counter-Strike 2, sem qualquer ligação ao curso original.

Windoh foi acusado judicialmente de burla? Não há, nas fontes consultadas, confirmação de acusação formal contra Windoh. O que existe é um inquérito aberto no DIAP de Lisboa desde Março de 2021, cujo alcance exacto nunca foi esclarecido pela PGR, e um alerta regulatório da CMVM contra a empresa dele por falta de autorização para actividade de intermediação financeira [6][7].

O que aconteceu aos compradores do curso depois do hack? Depois da exposição pública pelo hacker Redlive13, Windoh prometeu reembolsar os compradores. Ao Observador, a 12 de Março de 2021, e ao JN, a 15 de Março de 2021, confirmou que os reembolsos teriam acontecido [1][5], embora as fontes divirjam sobre o número exacto de compradores a reembolsar (16 a 17, consoante o meio).

A CMVM pode investigar a venda de um curso de criptomoedas? Sim, se a empresa fizer publicidade ou prospecção de clientes ligada a actividade de valores mobiliários sem estar autorizada. Foi exactamente esse o fundamento do alerta da CMVM contra a Blvck Network a 12 de Março de 2021, ao abrigo do art. 295.º do Código dos Valores Mobiliários [6][7].

Conclusão

Windoh vendeu um curso de 400€ a um punhado de pessoas, um hacker expôs o conteúdo e chamou-lhe plágio, a empresa tentou fechar a porta ao reembolso nos T&C, e a CMVM confirmou que a entidade não estava autorizada para o que fazia. Isto são factos documentados [1][2][5][6][7]. Burla, não foi confirmada judicialmente até às fontes aqui citadas, e é essa a linha que separa a análise séria do linchamento de bar.

O que fica, depois de tudo, é um aviso prático: antes de pagares 400€ por “liberdade financeira” vendida num Reel, lê os T&C até ao fim, confirma a autorização na CMVM e no Banco de Portugal, e pergunta-te porque é que, se o método funcionasse mesmo, o “especialista” precisaria de vender aulas em vez de viver dos lucros. Guarda este artigo, manda-o a quem estiver prestes a comprar o próximo “curso definitivo”, e lembra-te: o único negócio garantidamente lucrativo continua a ser vender cursos sobre como ficar rico a vender cursos.

📚 Fontes consultadas para este artigo

[1] Entrevista a Windoh: “Não tenho problema nenhum que me investiguem” (15/03/2021), jn.pt

[2] PJ a analisar dicas de criptomoedas partilhadas por influencers portugueses (03/03/2021), publico.pt

[3] PJ apreende material informático utilizado em ciberataque (17/03/2021), publico.pt

[4] PJ faz buscas na casa do hacker que revelou cursos de criptomoedas de Windoh (17/03/2021), observador.pt

[5] Windoh diz que está a receber ameaças de morte devido ao curso de criptomoedas (12/03/2021), observador.pt

[6] CMVM alerta que empresa do youtuber Windoh não está autorizada em Portugal (12/03/2021), jn.pt

[7] CMVM alerta investidores sobre empresa do youtuber Windoh (12/03/2021), rr.pt

[8] CMVM faz alerta sobre influencer Cláudio André: não está autorizado nem registado (19/04/2021), observador.pt

[9] Thread “Windoh e criptomoedas” (comunidade, UGC), reddit.com

[10] É burla ou não? O que dizem os especialistas sobre os cursos de criptomoedas de Windoh, observador.pt

[11] Exclusivo TVI: Ministério Público investiga youtuber Windoh por venda de cursos sobre criptomoedas, tvi.iol.pt

[12] PJ fez busca a hacker que denunciou esquema das criptomoedas de Windoh, sabado.pt

[13] Regulador recebeu mais de 90 denúncias contra seis influenciadores, jn.pt

[14] Youtuber David GYT acusado de burla milionária (12/10/2024), sabado.pt

[15] A vida de luxo do youtuber Windoh (10/04/2024), sabado.pt

[16] Petição pública PT106764, Investigação dos esquemas aliciantes por parte de influenciadores digitais, peticaopublica.com

[17] Reclamação “Burla Wevesting” (06/03/2021, relato individual de consumidor), deco.proteste.pt

[18] Alerta Cibercrime: burlas com criptomoedas (PGR, 25/03/2025), cibercrime.ministeriopublico.pt

[19] Lista de entidades autorizadas do Banco de Portugal, bportugal.pt

[20] Página de vendas da Blvck Network arquivada (Wayback Machine, 01/03/2021), web.archive.org

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